FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.
Resumo: Apresenta os critérios para distinguir saúvas (Atta) de quenquéns (Acromyrmex) no campo. Compara o número de pares de espinhos no tórax, a rugosidade do gáster, o polimorfismo das operárias e a presença de soldados. Contrasta o tamanho dos ninhos, o número de câmaras, a profundidade e a população de cada gênero. Alerta para a confusão comum entre ninhos novos de saúva, ainda sem soldados, e ninhos adultos de quenquém, e indica a granulometria da terra solta como recurso em caso de dúvida.
Palavras-chave: saúva; quenquém; Atta; Acromyrmex; identificação; formigueiro.
Por que diferenciar
Saúva e quenquém cortam folha, cultivam fungo e são chamadas de formiga cortadeira. Mas os ninhos têm tamanhos muito diferentes, e isso muda a forma de levantar a área e de calcular a dose de isca: para saúva, a dose é calculada pela área de terra solta; para quenquém, por formigueiro (Forti; Boaretto, 1997, p. 48). Errar o gênero é errar a dose.
Na formiga: espinhos, gáster e soldados
A diferença mais segura está no dorso do tórax. As saúvas (Atta) têm 3 pares de espinhos; as quenquéns (Acromyrmex), 4 ou 5 pares. O dorso do gáster, a parte final do abdome, é mais rugoso nas quenquéns do que nas saúvas (Forti; Boaretto, 1997, p. 12).
O tamanho das operárias também ajuda. Numa colônia de saúva há desde operárias com menos de 2 mm de comprimento até operárias grandes, com 1,5 cm, chamadas de soldados. Essa variação de tamanho é o polimorfismo. Nas quenquéns não há soldados nem formigas de tamanhos muito distintos, e as operárias em geral são menores (Forti; Boaretto, 1997, p. 12-14).
Há ainda a diferença na rainha: a de quenquém é cerca de 10 vezes mais pesada que uma operária média; a de saúva, cerca de 50 vezes (Forti; Boaretto, 1997, p. 14).
No ninho: tamanho, câmaras e população
Característica | Saúva (Atta) | Quenquém (Acromyrmex) |
|---|---|---|
Terra solta na superfície | Grande quantidade, frequentemente mais de 50 m² | Não ultrapassa 5 m² |
Câmaras de fungo | Até 8.000 | No máximo 5 |
Profundidade | Até 8 m | Até 2 m |
População | 3,5 a 7 milhões de indivíduos | Até 175.000 indivíduos |
Fonte: Forti e Boaretto (1997, p. 14).
A confusão mais comum
Na prática, ninho novo de saúva é confundido com ninho adulto de quenquém. A razão é simples: ninhos de saúva com menos de 2 anos ainda não têm soldados, e as formigas ficam parecidas (Forti; Boaretto, 1997, p. 14).
Com um pouco de prática, porém, os ninhos se distinguem. Os de quenquém quase sempre são superficiais e deixam pouca terra solta. Muitas espécies depositam vegetais secos sobre o ninho ou o constroem entre pedras, troncos, alicerces de construções ou sobre árvores. Poucas fazem ninhos que lembram os de saúva (Forti; Boaretto, 1997, p. 14).
Os ninhos de quenquém costumam ficar em locais de difícil acesso, e os orifícios de entrada e saída são menores e difíceis de observar (Forti; Boaretto, 1997, p. 15).
Em caso de dúvida: olhe a terra
Se a formiga e o ninho não resolverem, os autores sugerem examinar a granulometria da terra solta. Em geral, os grânulos depositados pelas quenquéns são menores que os das saúvas (Forti; Boaretto, 1997, p. 14).
Resumo prático
3 pares de espinhos, soldados grandes, monte de terra grande: saúva.
4 ou 5 pares de espinhos, sem soldados, pouca terra ou cisco por cima: quenquém.
Formigas pequenas e monte de terra pequeno: pode ser saúva nova. Conte os espinhos antes de decidir.
Referências
FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.