FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.

Resumo: Apresenta a distribuição geográfica das saúvas e quenquéns no Brasil. Registra a ampla ocorrência de Atta sexdens e A. laevigata e as áreas restritas das demais saúvas, a expansão da saúva-cabeça-de-vidro ao longo de estradas novas e a da saúva-parda no noroeste do Paraná após a troca do café por pastagens. Aponta o risco de desaparecimento regional de A. robusta e A. cephalotes. Para as quenquéns, destaca o maior número de espécies no Sul e a necessidade urgente de atualizar sua distribuição e sistemática.

Palavras-chave: saúva; quenquém; Atta; Acromyrmex; distribuição geográfica; Brasil.

Duas saúvas em todo o país

Das saúvas brasileiras, apenas duas têm distribuição ampla, em todo o país: a saúva-limão (Atta sexdens) e a saúva-cabeça-de-vidro (A. laevigata). As outras ocorrem em regiões restritas (Forti; Boaretto, 1997, p. 5):

  • A. cephalotes: região amazônica e Mata Atlântica do sul da Bahia.

  • A. opaciceps: Nordeste.

  • A. bisphaerica: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

  • A. goiana: faixa estreita de Mato Grosso e Goiás.

  • A. robusta: somente no Rio de Janeiro.

  • A. vollenweideri: pequenas porções do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul.

Para a saúva-parda (A. capiguara), estudos dos próprios autores ampliaram a distribuição conhecida para o Paraná e regiões de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais (Forti; Boaretto, 1997, p. 5).

Saúvas por estado

Espécie

Plantas cortadas

Importância

Estados

A. bisphaerica

Monocotiledôneas

Severa

SP, MG, RJ, MS

A. capiguara

Monocotiledôneas

Severa

PR, SP, MT, MG, GO, MS

A. cephalotes

Dicotiledôneas

Severa

AM, RO, RR, PA, AP, MA, PE, BA, AC, MT

A. laevigata

Ambas

Severa

RO, SP, AM, RR, PA, MA, CE, AC, PE, AL, BA, MG, RJ, MT, GO

A. sexdens

Dicotiledôneas

Severa

RN, SP, PR, SC, RS, MG, ES, RJ, MT, AL, SE, BA, PB, PE, GO, AM, AC, RO, RR, PA, AP, PI, CE

A. opaciceps

Dicotiledôneas

Ocasional

PI, CE, RN, PB, PE, SE, BA

A. robusta

Dicotiledôneas

Ocasional

RJ

A. vollenweideri

Monocotiledôneas

Ocasional

RS, MT

A. goiana

Monocotiledôneas

Desconhecida

GO, MT

A. silvai

Desconhecido

Desconhecida

BA

Fonte: adaptado de Forti e Boaretto (1997, p. 10). Severa: geralmente causa danos severos; ocasional: causa danos ocasionalmente.

Observação: para A. vollenweideri, o texto do livro cita Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, enquanto a tabela traz Rio Grande do Sul e Mato Grosso (Forti; Boaretto, 1997, p. 5, 10).

Espécies em expansão

A cabeça-de-vidro e a saúva-parda estão se expandindo. A cabeça-de-vidro aparece nas margens de estradas recém-abertas em Rondônia, Acre e Amapá (Forti; Boaretto, 1997, p. 5).

A atividade agrícola também empurra a expansão. A saúva-parda não ocorria no noroeste do Paraná antes de 1975; hoje há áreas infestadas perto de Paranavaí. Até 1975 a região cultivava café; a partir daí os cafezais deram lugar a pastagens, e o plantio de gramíneas favoreceu a dispersão dessa saúva cortadora de capim (Forti; Boaretto, 1997, p. 5-9).

Espécies que podem desaparecer

No sentido oposto, A. robusta, do Rio de Janeiro, e A. cephalotes, da Mata Atlântica do sul da Bahia, podem desaparecer dessas regiões: a primeira pela urbanização intensa, a segunda pela derrubada da mata onde se planta cacau e sua posterior substituição por pastagens (Forti; Boaretto, 1997, p. 9).

Quenquéns: mais espécies no Sul

Os estados do Sul têm o maior número de espécies de quenquém. São Paulo tem 11; Paraná, 9; Santa Catarina e Rio Grande do Sul, 10. O Nordeste tem menos espécies (Forti; Boaretto, 1997, p. 9-12).

As quenquéns cortadoras de grama têm ocorrência restrita. Acromyrmex heyeri, A. lobicornis e A. striatus só ocorrem no Sul; A. landolti, também cortadora de grama, ocorre no Amapá, Roraima, Pará e Amazonas. Já A. balzani, A. rugosus, A. subterraneus e A. coronatus têm ocorrência ampla (Forti; Boaretto, 1997, p. 9).

Um mapa ainda incompleto

Os autores consideram que a distribuição e a sistemática das quenquéns precisam de atualização urgente. O exemplo é A. lobicornis, registrada no Rio Grande do Sul e na Bahia, mas não nos estados entre eles. Há duas hipóteses: falta de levantamento nesses estados ou identificação errada da espécie (Forti; Boaretto, 1997, p. 9-12).

Outro caso é A. subterraneus, com três subespécies difíceis de distinguir pelas chaves de identificação. Um levantamento recente em São Paulo elevou o número de espécies de quenquém no estado de 8 para 11 (Forti; Boaretto, 1997, p. 12).

Na prática, isso quer dizer que a lista de espécies de uma região pode estar incompleta. Na dúvida sobre qual quenquém está na área, vale enviar amostras para identificação.

Referências

FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.