FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.

Resumo: Descreve as formas de controle químico de formigas cortadeiras que atuam por contato: formicidas em pó, líquidos, fumigantes, termonebulização e nebulização a frio. Apresenta como cada técnica funciona, como é aplicada e suas limitações, em especial a dificuldade de atingir todas as câmaras de um ninho adulto de saúva, que pode ter cerca de 8.000 câmaras de fungo a até 8 m de profundidade. Detalha o procedimento e as precauções da termonebulização e registra as mudanças posteriores a 1997 na legislação sobre fumigantes.

Palavras-chave: formicida; controle químico; termonebulização; formicida em pó; fumigante; saúva.

Por que o contato é o problema

O controle químico era, para os autores, o único com tecnologia disponível para uso prático, e as estratégias se diferenciam pela formulação e pelo modo de aplicação (Forti; Boaretto, 1997, p. 39). Os métodos deste texto têm um ponto em comum: o produto precisa chegar até a formiga. Num ninho adulto de saúva isso é difícil.

Escavações de uma colônia de Atta laevigata encontraram cerca de 8.000 câmaras de fungo até 8 m de profundidade, com túneis em rede e apenas 3 ou 4 convergindo para a colônia, alguns com até 40 cm de largura por 2,5 cm de altura (Forti; Boaretto, 1997, p. 39-40).

Formicida em pó

O pó-seco é um inseticida formulado em veículo sólido, como talco, aplicado nos olheiros com polvilhadeira manual. A formiga morre pelo contato direto. As primeiras formulações usavam organoclorados, como aldrin e heptacloro, hoje proibidos; depois foram testados organofosforados, carbamatos e piretroides (Forti; Boaretto, 1997, p. 39).

As limitações apontadas pelos autores (Forti; Boaretto, 1997, p. 39-40):

  • O pó não penetra nas câmaras de ninhos adultos de saúva; é eficiente apenas em formigueiros pequenos.

  • Solo úmido inviabiliza a aplicação, porque o produto gruda na terra.

  • Ocorre separação de fases: o ingrediente ativo se separa do talco, e a distribuição fica irregular.

  • É preciso remover a terra solta 24 a 48 horas antes, o que torna a técnica trabalhosa e cara.

  • Os riscos são elevados para o ambiente e para o aplicador.

Formicidas líquidos

Foram muito usados no passado, mas tinham baixa eficiência: precisavam entrar em contato com as formigas, exigiam perfurar o ninho e se perdiam por absorção no solo. Foram rapidamente substituídos pelas iscas e pela termonebulização (Forti; Boaretto, 1997, p. 40).

Fumigantes

O uso de gases tóxicos é um dos métodos mais antigos de combate. Em 1997, o brometo de metila era o único fumigante permitido para esse fim. Era altamente eficaz, mas caro, exigia mão de obra especializada e era muito perigoso para o aplicador. Seu uso se restringia a situações que exigiam a interrupção imediata do corte, e estava previsto até 2005 (Forti; Boaretto, 1997, p. 40-41).

Atualização: o brometo de metila hoje não é autorizado para o controle de formigas. Pela Instrução Normativa Conjunta MAPA/Anvisa/Ibama nº 2/2015, seu uso no Brasil é permitido exclusivamente em tratamento fitossanitário com fins quarentenários, nas operações de importação e exportação (Brasil, 2015).

Termonebulização

O termonebulizador produz uma fumaça tóxica, com gotas de cerca de 50 micras, a partir de formicida veiculado em óleo mineral ou diesel sob calor, aplicada diretamente nos olheiros. Há modelos sem motor, mais leves, e com motor de dois tempos (Forti; Boaretto, 1997, p. 41).

O método tem desvantagens operacionais e econômicas, e a manutenção do equipamento é um dos principais entraves. Ainda assim, é eficiente para grandes ninhos e áreas extensas, onde a isca pode ser inviável (Forti; Boaretto, 1997, p. 41).

Onde aplicar. Na saúva-parda (A. capiguara), nos olheiros de alimentação, que ficam fora do murundu. Nas demais espécies, nos olheiros sobre o murundu (Forti; Boaretto, 1997, p. 41).

Como aplicar (Forti; Boaretto, 1997, p. 41-42):

  1. Revisar o equipamento: limpar velas, carburador e câmara de abastecimento.

  2. Abastecer com combustível e com a solução de inseticida.

  3. Com o afogador fechado e a torneira de gasolina aberta, dar a partida. No motor de dois tempos, esperar alguns minutos para a câmara aquecer.

  4. Aplicar por saturação: injetar a fumaça num olheiro e aguardar que ela saia pelos demais. Quando a fumaça ficar densa, tapar os orifícios.

Precauções (Forti; Boaretto, 1997, p. 42):

  • Se não sair fumaça por alguns olheiros, escolher outros e aplicar de novo.

  • Com todos os olheiros tapados, aplicar um pouco mais e tapar em seguida.

  • Antes de desligar, fechar o registro de inseticida e deixar a máquina funcionando até esgotar o produto dos canos.

  • O risco de intoxicação do trabalhador é elevado.

  • Aplicar antes da aração e da gradagem: o solo revolvido desestrutura o ninho e impede a técnica.

Nebulização a frio (Aero-System)

Equipamento então recente que nebuliza a frio, com partículas de 8 a 15 micras, a bifentrina veiculada em butano e propano. A mistura é em média 1,77 vez mais densa que o ar e, por isso, desce pelo formigueiro, embora haja dúvidas sobre a distribuição dentro de ninhos complexos. O conjunto tem tanque de aço, mangueira e lança com bico; a aplicação é por dosagem (fluxo por tempo) ou por saturação, notada pelo refluxo do gás no olheiro (Forti; Boaretto, 1997, p. 42-43).

Pesquisas indicaram bom desempenho em formigueiros novos, com menos de 1 m². Em formigueiros maiores, causa distúrbio, redução da população e inatividade temporária. A embalagem retornável evita manuseio e descarte de sobras, uma vantagem. As limitações são a baixa eficiência em ninhos adultos de saúva, o congelamento na lança, que obstrui o fluxo, e vazamentos nas válvulas (Forti; Boaretto, 1997, p. 43).

Comparativo

Método

Melhor uso

Principal limitação

Pó

Formigueiros pequenos

Não atinge as câmaras de ninho adulto; inviável em solo úmido

Líquido

Substituído

Baixa eficiência, absorção pelo solo

Termonebulização

Ninhos grandes e áreas extensas

Custo, manutenção, risco ao aplicador

Nebulização a frio

Formigueiros com menos de 1 m²

Baixa eficiência em ninhos adultos

Fonte: elaborado a partir de Forti e Boaretto (1997, p. 39-43).

Nota de atualização

O livro é de 1997. Os ingredientes ativos e produtos registrados mudaram desde então. Antes de qualquer aplicação, consulte o Agrofit, do Ministério da Agricultura, para os produtos registrados para formigas cortadeiras, e siga a bula e o receituário agronômico.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa Conjunta nº 2, de 14 de dezembro de 2015. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 dez. 2015.

FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.