MARICONI, F. A. M. As saúvas. São Paulo: Agronômica Ceres, 1970.
Resumo: Registra os extintores e materiais recomendados em 1970 para aplicar sauvicidas nos formigueiros. Descreve os extintores manuais para pós secos, como o "Tamanduá", o "Guarani", o "Vanin" e o "Agroeste", o extintor motorizado "Mata Atta", os aplicadores de brometo de metila "Blemco" e "Tamanduá", a sonda J. P., o funil com tubo plástico e o vasilhame com tubo para líquidos. Os produtos aplicados por esses equipamentos estão proibidos no Brasil, e o texto tem caráter apenas histórico e informativo.
Palavras-chave: saúva; extintores; equipamentos de aplicação; sonda J. P.; histórico; formicidas.
Atenção: conteúdo histórico. Os aparelhos descritos aqui serviam para aplicar pós clorados, brometo de metila e bissulfeto de carbono, produtos hoje proibidos no Brasil. Este artigo é só um registro de como se trabalhava em 1970 e não é recomendação de uso. Para controlar formigas hoje, use apenas produtos registrados no Agrofit, siga a bula e a receita agronômica.
Extintores manuais para pó
Em 1970, os extintores manuais mais conhecidos para aplicar pó seco eram o "Tamanduá", o "Guarani", o "Vanin" e o "Agroeste". Eram usados em sauveiros já limpos, com a terra solta removida. Segundo o autor, eram eficientes, mas cansavam demais o operador (Mariconi, 1970, p. 127).
"Tamanduá": cilindro com êmbolo e depósito de pó, com cerca de 1,1 kg e tubo de descarga de uns 80 cm. O operador apoiava o pé numa alça e bombeava; a desvantagem era ter de desrosquear e rosquear o depósito a cada carga. Era fabricado na cidade de São Paulo (Mariconi, 1970, p. 127-128).
"Guarani": parecido com o anterior, com depósito de fundo cônico para não reter pó, mas com a mesma desvantagem de retirar o depósito para encher. Também era paulistano (Mariconi, 1970, p. 128).
"Vanin": um pouco mais aperfeiçoado, com depósito lateral que não precisava ser retirado. Tinha 56 cm de altura e pesava cerca de 1,1 kg; era fabricado em Garça (SP) (Mariconi, 1970, p. 128-129).
"Agroeste": considerado o manual mais aperfeiçoado da época. Pesava 5,5 kg vazio, comportava 1 kg de pó e tinha uma válvula que impedia o pó de voltar ao cilindro. Era fabricado em Ribeirão Preto (SP) (Mariconi, 1970, p. 129-130).
O "Mata Atta", a motor
Nos dois anos anteriores ao livro, surgiram extintores a gasolina. Pela eficiência, preço, transporte e manejo, destacava-se o "Mata Atta", fabricado em Araçatuba (SP), com motor "Montgomery", ventoinha, depósito de pó e uma mangueira de três partes, uma delas ligada ao escapamento (Mariconi, 1970, p. 129).
Para o autor, ele preencheu uma grande lacuna na aplicação de pós: era muito eficiente e dispensava a limpeza do sauveiro, bastando de 2 a 3 aplicações, conforme o tamanho do formigueiro (Mariconi, 1970, p. 130-131).
Aplicadores de brometo de metila
O brometo de metila ferve a cerca de 4,5 °C e, por isso, só podia ser aplicado com aparelhos especiais, que evitavam a perda do gás e o risco ao operador. Os dois modelos usados eram o "Blemco" e o "Tamanduá" (Mariconi, 1970, p. 131).
"Blemco": base de cobre com torneira, perfurador e prendedor de latas, mais um copo plástico; pesava de 150 a 165 g e media 11 cm. Encaixava-se na lata de brometo, perfurava-a e levava o gás para o formigueiro (Mariconi, 1970, p. 131-132).
"Tamanduá": com o mesmo objetivo, mas com uma braçadeira que "abraçava" a lata e a perfurava lateralmente; pesava cerca de 370 g. O autor já desaconselhava a versão mais barata, sem depósito, em que o gás passava direto da lata para o tubo (Mariconi, 1970, p. 132-133).
O brometo de metila é um gás muito tóxico e hoje está proibido para esse uso no Brasil.
Sonda J. P.
A sonda J. P. era uma barra de aço de 12 mm de diâmetro e 2 a 3 m de comprimento, com uma ponta cônica, usada para perfurar o sauveiro e atravessar as panelas com canais artificiais perpendiculares à superfície. A sondagem era "positiva" quando a sonda atravessava uma ou mais panelas. Com várias sondagens positivas, aplicava-se o produto pelos furos, em geral gases e, menos, líquidos (Autuori, 1940b apud Mariconi, 1970, p. 133-134).
Em 1970, o uso da sonda já estava diminuindo com o aparecimento de produtos mais fáceis de aplicar, mas o autor ainda a recomendava para sauveiros bem amuados (Mariconi, 1970, p. 134). As sondas JP seriam derivadas de um trado de ferro e aço patenteado em 1883 (Mariconi, 1970, p. 4).
Funil e vasilhame
Para gases de volatilização mais lenta, como o bissulfeto de carbono, usava-se um funil com tubo plástico: grande para o bissulfeto puro, pela quantidade aplicada, e pequeno, de 60 cm³ e 30 g com o tubo, para os demais gases e misturas. Para os produtos diluídos em água, havia um vasilhame com tubo de descarga (Mariconi, 1970, p. 135).
Por que registrar isso
Esses aparelhos mostram como o combate dependia de força física, de tempo e de produtos de alto risco para quem aplicava. Também explicam práticas que ainda aparecem no campo por tradição, como a remoção da terra solta ou a sondagem. Hoje, o combate é feito principalmente com iscas registradas e, quando indicado, com equipamentos e produtos permitidos, seguindo a bula.
Referências
MARICONI, F. A. M. As saúvas. São Paulo: Agronômica Ceres, 1970.