FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.
Resumo: Avalia os métodos mecânico, cultural e biológico de controle de formigas cortadeiras. Mostra que a escavação para retirar a rainha só é viável em colônias de saúva com até 4 meses e que aração e gradagem matam ninhos novos, mas podem mascarar ninhos adultos. Revisa o uso de plantas resistentes, como espécies de Brachiaria, e de gergelim como cultura armadilha. Descreve os inimigos naturais, como pássaros e besouros do gênero Canthon, e os fungos entomopatogênicos, cujos resultados no campo ainda não são conclusivos.
Palavras-chave: formigas cortadeiras; controle mecânico; controle cultural; controle biológico; Brachiaria; Beauveria bassiana.
A natureza já faz a maior parte
As condições ambientais eliminam 99,95% das rainhas de formigas cortadeiras antes mesmo que fundem seus ninhos. Ainda assim, a prática agrícola favorece o aumento da população, e por isso a intervenção do homem se torna necessária (Forti; Boaretto, 1997, p. 36).
Desde os anos 1950, com os inseticidas sintéticos, o controle químico passou a ser efetivamente utilizado (Forti; Boaretto, 1997, p. 36). Este texto trata dos outros três métodos.
Controle mecânico: só em colônia muito nova
Consiste em escavar o ninho para retirar a rainha. Não é recomendável para colônias de saúva com mais de 4 meses, porque a partir daí a rainha está a mais de 1,5 m de profundidade, e o esforço se torna inviável. Na prática, não se aplica a plantios comerciais, reflorestamentos e pastagens (Forti; Boaretto, 1997, p. 36).
Controle cultural: ajuda e atrapalha
A aração e a gradagem podem matar ninhos novos de saúva. Com a adoção do cultivo mínimo em várias culturas e em reflorestamentos, esse efeito basicamente deixou de existir (Forti; Boaretto, 1997, p. 37).
Em ninhos adultos, a mecanização pode até prejudicar. Ela desestrutura parcialmente o formigueiro e desfaz o monte de terra solta; a atividade para por um tempo, o que dá a falsa impressão de controle e dificulta encontrar o ninho depois (Forti; Boaretto, 1997, p. 37). Por isso o formigueiro deve ser tratado antes do preparo do solo.
Plantas resistentes
Usar plantas resistentes, rotação de culturas ou escolha de variedades seria vantajoso, sem custo adicional nem risco de contaminação. Mas, até a publicação, não havia nada conclusivo que permitisse recomendações (Forti; Boaretto, 1997, p. 37).
Para eucalipto, a busca por materiais resistentes teve resultados variáveis. Em pastagens, há evidências de que Brachiaria decumbens, B. brizantha e B. humidicola resistem a Acromyrmex landolti e à saúva-parda (Atta capiguara). O mecanismo parece ser um efeito inibidor sobre o crescimento do fungo cultivado por A. landolti. Por outro lado, há evidências de que o fungo consegue metabolizar substâncias tóxicas das plantas, o que dificulta a seleção de espécies resistentes (Forti; Boaretto, 1997, p. 37).
O gergelim (Sesamum indicum) foi investigado como cultura armadilha, mas o plantio entre fileiras de eucalipto não deu resultados positivos (Forti; Boaretto, 1997, p. 37-38).
Controle biológico: importante na natureza, difícil de manejar
Predadores, parasitoides e microrganismos patogênicos (fungos, bactérias e vírus) são importantes na regulação natural das populações (Forti; Boaretto, 1997, p. 38).
Pássaros: a predação durante a revoada é muito intensa.
Outros predadores: aranhas, ácaros, várias formigas predadoras e besouros.
Besouros Canthon virens e C. dives: predadores específicos de rainhas de saúva. C. virens ataca a rainha logo após a revoada, antes que ela abra o canal. Tem biologia complexa e poucos descendentes por fêmea, o que tem sido entrave à criação massal para liberação no campo.
Fonte: Forti e Boaretto (1997, p. 38).
Fungos entomopatogênicos
No Brasil, a maioria dos estudos usou Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae. Em laboratório a mortalidade é alta, mas no campo os resultados não são conclusivos (Forti; Boaretto, 1997, p. 38).
Os autores apontam as razões. Esses fungos não são específicos e atacam outros artrópodes. E as formigas, junto com seu fungo, se defendem: liberam secreções antifúngicas, limpam o corpo, mantêm a higiene do ninho, mudam a atividade e reconhecem os patógenos (Forti; Boaretto, 1997, p. 38).
Conclusão dos autores
Apesar das restrições, o controle químico era, segundo os autores, o único com tecnologia disponível para uso prático (Forti; Boaretto, 1997, p. 39). Os métodos mecânico, cultural e biológico entram como complemento: proteger os inimigos naturais, tratar os formigueiros antes do preparo do solo e não confundir formigueiro desmanchado com formigueiro morto.
Referências
FORTI, L. C.; BOARETTO, M. A. C. Formigas cortadeiras: biologia, ecologia, danos e controle. Botucatu: FCA-UNESP, 1997.