MARICONI, F. A. M. As saúvas. São Paulo: Agronômica Ceres, 1970.

Resumo: Registra os métodos e formicidas antigos de combate às saúvas, muitos já em desuso em 1970. Descreve os insufladores de fole, de ventoinha e de bomba usados para queimar arsênico e enxofre, os gaseificadores de bissulfeto de carbono, como o "Agridefesa", o "Favorita", o "Taxa" e o "Pimentel", e outros aparelhos, como o trado que deu origem à sonda. Apresenta os formicidas antigos, como bissulfeto de carbono, cianeto de sódio e a mistura de arsênico e enxofre. Todos esses produtos estão proibidos e o texto tem caráter apenas histórico.

Palavras-chave: saúva; métodos antigos; arsênico; bissulfeto de carbono; extintores; histórico.

Atenção: conteúdo histórico. Os métodos deste artigo usavam arsênico, cianeto e bissulfeto de carbono, substâncias extremamente perigosas para quem aplica, para os animais e para o ambiente, hoje proibidas para o controle de formigas no Brasil. O texto é só um registro histórico, e as quantidades do livro foram omitidas. Para controlar formigas hoje, use apenas produtos registrados no Agrofit, siga a bula e a receita agronômica.

Arsênico e bissulfeto: a dupla que dominou por décadas

Nas demonstrações oficiais de combate à saúva relatadas no livro, só o bissulfeto de carbono, o arsênico e os produtos à base deles se mostraram eficazes. Dos 30 produtos classificados, 21 (70%) eram à base de bissulfeto de carbono e 9 (30%), à base de arsênico. Experimentos posteriores a 1935 confirmaram essa superioridade por muito tempo, até que, com os formicidas modernos, os dois foram perdendo terreno (Mariconi, 1970, p. 89).

Insufladores: queimando arsênico e enxofre

A mistura de arsênico e enxofre era queimada sobre brasas, e a fumaça tóxica era empurrada para dentro do sauveiro por insufladores de três tipos (Mariconi, 1970, p. 89-95):

  • De fole: os mais baratos e simples, portáteis, usados também em cupinzeiros e buracos de rato. Exigiam carregar formicida, carvão e o aparelho, e o operador precisava saber escolher bem os olheiros. Os gases da combustão do arsênico e do enxofre eram muito prejudiciais à saúde de quem trabalhava.

  • De ventoinha: modelos como "Werneck", "Terremoto", "Agrosan", "Imperador", "Infernal", "Tempestade" e "Salvagrícola". Eram pesados e incômodos de transportar, e o operador precisava ter cuidado com o desprendimento dos gases.

  • De bomba: os menos usados. Os antigos eram o "Ideal" e o "Bataillard"; em 1970, o mais conhecido era o "Estrela", fabricado em Mogi Mirim (SP) e usado por muitos sitiantes.

Para tornar a fumaça mais densa e visível, queimavam-se junto sementes oleaginosas, como as de mamona e algodão. Os olheiros por onde a fumaça escapava eram tapados (Mariconi, 1970, p. 91, 101). Segundo o autor, a vantagem do método era a eficiência e a "ação denunciadora" da fumaça, que revelava os olheiros; a desvantagem era a demora, que encarecia a mão de obra (Mariconi, 1970, p. 101).

Gaseificadores de bissulfeto de carbono

Os gaseificadores transformavam o bissulfeto de carbono líquido em gás. Havia quatro formas: banho-maria, calor gerado pela água lançada sobre carbureto, soda cáustica ou cal virgem, corrente de ar e evaporação natural (Mariconi, 1970, p. 95).

  • Com água: aparelhos como "Polvo", "Vulcano", "Relâmpago", "Bujão Sauvicida" e "Vermelho Day", todos já em desuso em 1970 (Mariconi, 1970, p. 95-96).

  • Sem água, por corrente de ar: o "Agridefesa", por algum tempo o melhor aparelho, leve e simples; o "Favorita", mais leve e com depósito de vidro graduado; e o "Taxa", modelo "Para Todos", que usava carvão aceso (Mariconi, 1970, p. 96-98).

  • Por evaporação natural: o processo imaginado pelo lavrador Homero Pimentel, de Serra Negra (SP), em que pequenas latas com o líquido eram ligadas aos olheiros por tubos de borracha. As latas deviam ficar cobertas com terra ou galhos, para não esquentar ao sol e para evitar acidentes com animais. Em teste com 82 formigueiros, 78 morreram (Autuori, 1940a apud Mariconi, 1970, p. 98-99).

A origem da sonda

A sonda já era um aparelho antigo em 1970, mas continuava em uso. Ela foi precedida por um trado: em 30 de março de 1883, Antônio Francisco Dias obteve privilégio para um produto chamado sulfurina, para matar formigas, e para um trado para perfurar formigueiros (Dafert; Rivinius, 1896 apud Mariconi, 1970, p. 99). Outros inventores criaram cartuchos de substâncias químicas que, queimados, matavam os sauveiros pela fumaça tóxica (Mariconi, 1970, p. 99).

Os formicidas antigos

  • Bissulfeto de carbono: usado como líquido ou gás. Seus vapores são mais pesados que o ar e descem para o subsolo. Era inflamável e explosivo, mas eficiente e de aplicação rápida. O privilégio do processo, concedido a Guilherme Capanema em 1873 e prorrogado em 1882, terminou em 1891, e o processo caiu em domínio público (Dafert; Rivinius, 1896 apud Mariconi, 1970, p. 100).

  • Cianeto de sódio: eficaz, mas muito perigoso para quem o usava. Em contato com a água, libera gás cianídrico, um gás perigosíssimo. Em 1970 já não era mais usado (Mariconi, 1970, p. 100, 102).

  • Arsênico e enxofre: processo usado em larga escala no passado e, em 1970, em vias de desaparecer (Mariconi, 1970, p. 101).

  • Compostos de cloro, fósforo e outros: experimentados, mas sem passar da fase experimental e sem valor prático (Mariconi, 1970, p. 102).

O autor registra ainda que o bissulfeto de carbono também era despejado direto nos canais com funil, prática que tinha sido abandonada e que muitos lavradores voltaram a adotar, e alertava para nunca atear fogo nos canais (Mariconi, 1970, p. 102).

Por que lembrar disso

Este capítulo mostra o alto custo humano do combate à saúva no passado: fumaça de arsênico no rosto do operador, gás cianídrico e líquidos explosivos carregados pelo campo. Ajuda a entender por que o controle moderno se apoia em iscas formuladas, em produtos registrados e no uso de EPI, e por que nenhuma dessas práticas antigas deve ser repetida.

Referências

MARICONI, F. A. M. As saúvas. São Paulo: Agronômica Ceres, 1970.