Resumo técnico elaborado a partir de "As Saúvas", de F. A. M. Mariconi (Ceres, 1970).

Um formigueiro de saúva adulto pode ocupar 100 m², revolver 40 toneladas de terra e abrigar quase 2.000 câmaras subterrâneas. Entender essa estrutura é o que separa o controle que funciona do que desperdiça isca.

O que se vê e o que está embaixo

O que aparece na superfície é só a parte visível: o monte de terra solta e os olheiros. A colônia de verdade está abaixo, numa rede de câmaras — as panelas — ligadas por canais.

Essa diferença tem consequência prática. O tamanho do monte de terra dá uma ideia do porte do formigueiro, mas não diz onde está o fungo nem quantas panelas vivas existem.

Os olheiros não são todos iguais

Mariconi separa os olheiros por função, e a distinção importa na hora de aplicar isca.

Os olheiros abertos no monte de terra solta servem para as operárias levarem partículas de terra para fora. Não são usados para entrada de material vegetal.

Os olheiros fora dos montes são de dois tipos: os de ventilação, que renovam o ar no interior da colônia, e os de alimentação, onde chegam os carreiros com o material vegetal cortado.

Ou seja: isca colocada no monte de terra tem menos chance de ser carregada do que isca colocada junto ao carreiro ativo.

Os quatro tipos de panela

Abrindo um formigueiro, encontram-se quatro tipos de câmara:

  • Panelas vivas — as que contêm a cultura do fungo. Pelo aspecto, a massa é chamada de esponja de fungo. São o coração da colônia.

  • Panelas de lixo — onde é despejado o material vegetal já esgotado pelo fungo, junto com formigas mortas.

  • Panelas vazias — nada em seu interior. São a maioria.

  • Panelas de terra — com terra solta dentro. Geralmente raras.

Dois formigueiros escavados: os números

Mariconi reúne os dados das escavações de Autuori, que acompanhou colônias de saúva-limão (Atta sexdens rubropilosa) desde a fundação.

Colônia com 4 anos, escavada em setembro de 1941: cerca de 800 olheiros e 1.027 panelas — 390 com fungo, 226 com terra, 14 de lixo e 397 vazias.

Colônia com 6 anos e 3 meses, escavada em janeiro de 1944:

  • Área de cerca de 100 m²

  • 1.920 panelas — 248 com fungo, 296 de lixo, 157 com terra e 1.219 vazias (63,5% do total)

  • 22,7 m³ de terra solta na superfície, equivalentes a 15,7 m³ de solo acamado, pesando cerca de 40.000 kg

Quanto de planta uma colônia consome

O cálculo de Autuori é o dado mais eloquente para quem perde plantio. O lixo acumulado nas 296 panelas pesava 475 kg. Como 12,4 kg de material vegetal geram 1 kg de lixo, a colônia transportou ao menos 5.892 kg de vegetais da fundação até a escavação.

Quase seis toneladas de folha, por um único formigueiro, em seis anos.

A colônia demora a aparecer

A cronologia da colônia de 1937 mostra por que formigueiro inicial é difícil de achar:

Evento

Data

Tempo desde a fundação

Içá penetra no solo

11/11/1937

—

1º olheiro

31/01/1938

82 dias

2º olheiro

20/02/1939

15 meses

10 olheiros

14/07/1939

20 meses

1ª revoada

10/12/1940

38 meses

Passam-se quase três meses até o primeiro olheiro, e mais de um ano até o segundo. Nesse período a colônia existe, já corta, e é praticamente invisível no talhão.

Nem todo olheiro está aberto

Outro dado que atrapalha a contagem em campo: parte dos olheiros fica fechada. Na colônia acompanhada, de 936 olheiros, entre 44% e 60% estavam abertos. Mais tarde, com 1.473 a 1.794 olheiros, os abertos ficaram entre 42% e 54%.

Contar olheiros visíveis, portanto, subestima o formigueiro — frequentemente pela metade.

Fonte

MARICONI, F. A. M. As Saúvas. Esse conteúdo é um resumo técnico; o original traz os dados completos e as referências de cada estudo citado.